sexta-feira, 29 de março de 2013

"Um por todos, cada um por si!" e a lógica subversiva do Reino

Por Hermes C. Fernandes

O coração dos três estava a mil. Da última vez que foram destacados dos demais, algo extraordinário aconteceu.

- O que será que nos espera desta vez?  Pergunta um deles.

- Haveria glória maior do que aquela? Pergunta outro.

- Hum... mas Ele andou pedindo ao Pai que lhe restituísse a glória que tinha antes da fundação do mundo... será que se trata disso? Como poderemos fitar nossos olhos? Da outra vez já foi tão difícil... Concluiu Tiago.

- Só não entendi este lance de trazermos espadas... Ele nunca nos pediu para andar armados. Refletiu João. 

- Bem pensado, João. Mas fale baixinho pra Ele não ouvir...  Espero que não demore... estou caindo de sono. Sussurrou Pedro.

- Eu também. Disseram em uníssono Tiago e João, apelidados por Jesus de “filhos do trovão”.

De repente, Jesus interrompe a caminhada, dirige-se a eles e diz em tom dramático:

- Ok rapazes!  Chegamos. Estou profundamente deprimido.  Não quis dizer aos outros, porque sei que ficariam desapontados.  Mais do que nunca, preciso de vocês por perto, me apoiando. Vou um pouco adiante porque preciso ficar só com o meu Pai. Enquanto isso, fiquem aqui de prontidão em oração.

Quando Jesus se afastou um pouco, eles começaram a comentar entre si:

- O que será que Ele está esconde de nós? Nunca vimos Jesus assim...

O tempo foi passando, as vistas começaram a pesar e eles adormeceram.

Tocados por Jesus, acordaram assustados esperando assistir a um espetáculo semelhante ao que assistiram tempos antes. Mas se decepcionaram. Da vez anterior, estarrecidos com o espetáculo da transfiguração, mantiveram os olhos arregalados em todo o tempo. Pedro chegou a sugerir que fossem construídas três tendas para abrigar a Jesus e os dois profetas que lhes apareceram. Mas desta vez, o sono os vencera. Jesus os chama e os repreende por estarem dormindo num momento tão crucial de Sua vida.

- Vocês não podem vigiar e orar comigo pelo menos por uma hora? Será que não percebem a gravidade da situação? Preciso que se mantenham de prontidão.

Aparentemente despertos, sinalizaram como se houvessem entendido o apelo do Mestre. Porém, tão logo Jesus Se afastara novamente, tombaram dormindo, pois pensavam com os seus botões: hoje não haverá espetáculo.

Pelo jeito, esses “três mosqueteiros” às avessas fizeram escola. Dois mil anos passados e ainda somos tão suscetíveis à cultura do espetáculo ao passo que somos tão indiferentes ao sofrimento alheio. Apatia crônica é o diagnóstico de nossa espiritualidade. Almejamos a transfiguração, mas jamais a desfiguração. Queremos Sua divindade, mas não Sua humanidade. Seu poder, jamais Sua fraqueza. Sua sabedoria, não Sua loucura.
Foi necessário que Deus levantasse um D’Artagnan para chamar a atenção da igreja, despertando-a da letargia (Ef.5:14).  Paulo, aquele que sequer se considerava digno de ser chamado “apóstolo” (1 Co.15:8-10), destaca a loucura de Deus como mais sábia que a sabedoria humana, e a fraqueza de Deus acima da força humana (1 Co.1:25).

Foi este quarto mosqueteiro que enxergou na cruz um espetáculo muito maior que qualquer transfiguração gloriosa. Mesmo tendo tido a experiência de encontrar Jesus no caminho de Damasco, cuja glória foi capaz de cegá-lo, Paulo determinou em seu coração a ninguém anunciar senão a Cristo, e este crucificado (1 Co.2:2). E não apenas isso: ele se achava privilegiado por participar das aflições de Cristo (Cl.1:24). A cruz de Cristo era a sua própria cruz. Enxergá-lo lá era o mesmo que enxergar-se na mesma cruz (Gl.2:20). Não havia do que se envergonhar! A fraqueza de Deus é Sua maior demonstração de poder. A lógica divina subverte a lógica humana. De sorte que os últimos são os primeiros. Quem quiser ser o maior, deve ser o menor. Foi a partir desta lógica subversiva que Paulo concluiu:
"Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte." 2 Coríntios 12:10
Já ouvi pregadores afirmando que Cristo não deseja ser visto “nos dias da sua carne”, mas em Seu estado de glória. Baseiam-se erroneamente numa passagem em que lemos que “a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo”(2 Co.5:16). A questão aqui não é “Cristo nos dias de Sua carne”, e sim obtermos um conhecimento meramente carnal do mesmo. Pode-se, inclusive, enxergá-lo em Sua glória, porém, de maneira carnal. Portanto, não se trata de Ele estar “em carne” ou “em glória”, e sim, de compreender Sua mensagem de maneira carnal (centrada no meu “eu”) ou espiritual.

Voltemos ao Getsêmane:

Enquanto dormiam, Jesus começou a desfigurar-se. Sua agonia era tão grande que Seus vasos sanguíneos se romperam fazendo com que Seus poros jorrassem sangue.

Se no episódio anterior eles puderam vislumbrar Sua divindade, agora perdiam a oportunidade de enxergá-lo na plenitude de Sua humanidade. Quem antes Se transfigurara ante seus olhos, agora Se desfigurava ante os olhos do Pai.

Nunca Jesus Se sentira tão só. Não havia plateia para aquele espetáculo mórbido. Apenas o Pai o ouvia, porém, Seu pedido não podia ser atendido. O que estava em jogo era o destino de toda a criação. Atendê-lo em Sua súplica seria o mesmo que entregar o universo à sua própria sorte.

- Pai, se for possível, passa de mim este cálice...

Pausa na respiração.

- Mas que seja feita a Tua vontade, não a minha.

O que desfigurou o semblante de Jesus não foram os socos e pontapés recebidos dos guardas do Sinédrio e dos romanos, mas Sua tristeza.  Se o coração alegre aformoseia o rosto, o que não faz um coração amargurado?

As primeiras gotas de sangue que pagariam por nossa redenção não foram derramadas no Gólgota, mas no Getsêmane. Não foram resultado das perfurações dos cravos ou da coroa de espinho, ou das chicotadas, mas resultaram da luta hercúlea travada entre Sua carne e Seu Espírito. Conforme Ele mesmo disse aos Seus discípulos numa das vezes em que os repreendera: O espírito na verdade está pronto, mas a carne é fraca.

Sua carne tinha que render-se à vontade do Espírito.

Luta diferente era travada entre os três que acabaram se rendendo ao sono. Até que Jesus os acordou pela terceira vez.

- Agora é tarde! Não há mais o que fazer. Lá vem o traidor...

Pedro levantou-se assustado, notou a aproximação de Judas que se fazia acompanhar por guardas do Sinédrio e pensou consigo:

- Posso me redimir através de um gesto heroico. Ele nem vai lembrar que estive dormindo quando mais precisou de mim. Afinal, Ele não teria nos pedido que trouxéssemos espadas se não tivéssemos que usá-las...

Num rompante, o pescador galileu desembainhou a espada e golpeou um dos soldados com a clara intenção de matá-lo. Por sorte, por estar ainda sonolento, seu reflexo falhou e, em vez de acertar o pescoço, atingiu a orelha do soldado e a decepou.

Com a saliva de Judas ainda no rosto, Jesus agachou-se, tomou a orelha decepada e a colocou no lugar. Este, por sinal, foi Seu último milagre antes de ser crucificado.

Só deu tempo de dizer a Pedro:

- Guarda esta espada, rapaz! Quem com ferro fere, com ferro será ferido!

O que Jesus espera de cada um de nós não são atos heroicos, nem rompantes de valentia, mas tão-somente constância, companheirismo, empatia, engajamento.

Horas depois, o mesmo Pedro O negaria por três vezes no pátio onde aguardava o julgamento de Jesus. Os mesmos que hoje se digladiam por um espaço sob os holofotes da mídia, quando as luzes se apagam são os primeiros a negar tudo quanto afirmam defender.

Não se pode oscilar entre heroísmo e indiferença, valentia e covardia. Há que se buscar uma espiritualidade pautada na constância, que não careça de tocar alarde, de chamar a atenção para si. Aquele tipo de engajamento indiscretamente discreto, em que a mão esquerda ignore o que faça a direita.

Quando falo sobre isso, alguns me contestam afirmando que como luz devemos ser colocados em lugar de destaque a fim de iluminar todo o ambiente. Ok. Mas a luz não chama a atenção para si, e sim para o objeto que pretende iluminar. Assim como o sal realça o sabor da comida. Se salgar demais, estraga. É a isso que chamo “engajamento indiscretamente discreto”.

Não precisamos sair por aí comprando briga com qualquer segmento do qual discordemos. Mantenhamos a espada na bainha. Chega de decepar orelhas! Chega de violar o direito do outro, impondo nossa própria moral. Se tivermos que lutar, que seja pelo bem comum e não pelo nosso próprio bem. E que, em vez de espadas afiadas na lima ideológica, usemos tão-somente a espada do Espírito que é a Palavra de Deus, lembrando que a mesma, por possuir dois gumes, corta tanto para lá quanto para cá. 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Conflito entre manifestantes evangélicos e gays na Austrália. Em breve no Brasil?

Um protesto em Adelaide, Austrália, não terminou bem para os evangélicos que tentaram impedir uma manifestação de gays.
Procurando encenar um casamento em público no final de uma passeata contra a homofobia, cerca de 100 casais homossexuais foram interrompidos por um grupo que empunhava cartazes, faixas e gritava versículos bíblicos.
O protesto condenando a homossexualidade foi organizado pela igreja Adelaide Street. Em meio à confusão, denúncias de agressão de ambos os lados. Uma cadeirante gay acusa um dos cristãos de tê-la derrubado da cadeira. Os membros da igreja afirmam que tiveram suas faixas rasgadas. A polícia foi chamada para intervir.
Falando em nome da organização gay, Jason Virgo afirmou: “Um pequeno grupo de cristãos radicais veio com cartazes dizendo que Deus nos odeia. Não deveria existir cartazes juntando ‘Deus’ e ‘ódio’… Hoje é o Dia internacional contra a homofobia e eles vieram até nós dizendo coisas homofóbicas. É uma falta de respeito… Nunca iriamos até a igreja deles atrapalhar o que eles fazem por lá”.
Damien Gloury, falando em nome da igreja: “Fomos atacados e apanhamos porque proclamamos a mensagem cristã. Estamos apenas citando a Bíblia e ela diz que homossexualidade é pecado… Amamos as pessoas, pode parecer que as estamos condenando, mas não, estamos apenas pregando a Bíblia”.
Sue Wickham, pastora da igreja Uniting, tentou conciliar os dois grupos, lembrando aos evangélicos que Deus é amor e o pecado é a separação de Deus. Ao que um dos cristãos respondeu, citando uma passagem da Bíblia, 1 João 3:4: “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei”.
Um representante da polícia local que tirou alguns cristãos da rua para garantir a segurança deles. Ninguém foi preso.
Agência Pavanews, com informações de News AU e ABC News.

APARÊNCIA DO MAL


“abstende-vos de toda aparência do mal” I Tessalonicenses 5.22.

“Lei de murphy”, talvez você já tenha ouvido falar nela. Esta “lei”, na verdade, é uma teoria criada pelo engenheiro aeroespacial norte-americano Edward A. Murphy, que diz o seguinte: “Se algo pode dar errado, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo a causar o maior estrago possível", ou seja, se algo não for a melhor decisão, a melhor atitude, o melhor caminho a tomar, pois tem a possibilidade de trazer trágicas conseqüências, então o melhor é fugirmos dela!
Apesar de muita gente discordar e criticar a teoria de Murphy, creio que seja isso que a Bíblia queira nos dizer quando nos exorta a “abster-se da aparência do mal”.
Duas coisas me chamam a atenção neste versiculo:
A primeira: a expressão “abster-se”.
Fui procurar no dicionário o seu significado e encontrei: (latim abstineo, -ere, manter afastado, conter,refrear-se, Privar de fazer, Ter controle de si relativamente a um desejo, prazer, vício, etc (ex.: abster-se de artigos desnecessários). Ter moderação, sobriedade.
Particularmente, de todas as definições desta palavra a minha favorita é a ultima: “ter moderação, sobriedade”, ou seja, ter controle sobre seus desejos, sobre seus sentimentos; estar lúcido em relação a realidade.
A luz disso, entendo que a Bíblia nos recomenda a fazer uma analise lúcida, moderada (não dominada por desejos e sentimentos) da realidade e abster-me (manter afastado, privado, me conter) daquilo que é um mal aparente, mesmo aquilo que tenho o direito ou liberdade para realizar.
No A.A. (Alcoólicos Anônimos) a regra de ouro é: não dê o primeiro gole, Pois as conseqüências podem ser fatais! A pessoa com inclinação ao vicio da bebida deve “abster-se” de tudo o que for alcoólico para continuar “lúcido, moderado”.
Constantemente nos esquecemos que temos a tendência ao pecado devido a nossa natureza pecaminosa, e que a tentação é um processo que começa com o primeiro olhar, o primeiro toque, a primeira palavra, a primeira atitude etc.
A Bíblia nos deixa bem claro isso em Tiago 1.14,15 : “...Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria cobiça;
então a cobiça, havendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte”.
Vê como é um processo? Começa com a cobiça que inflama a intenção pecaminosa, que termina com a pratica do pecado em si.
Em termos espirituais devíamos seguir esta mesma regra, pois ninguém cai em tentação, cai em pecado do dia para noite, é um processo, por isso, devemos-nos “abster” (manter afastado, conter, refrear-se, Privar de fazer) do primeiro olhar, do primeiro toque, da primeira palavra, da primeira atitude que possa fazer desencadear todo o processo que nos levará a sermos enredados pelo mal.
A segunda coisa que me chama a atenção neste versículo é que ele nos exorta a fugir da “APARÊNCIA do mal”, não é apenas do mal, mas da APARÊNCIA do mal, e é ai onde muita gente cai!
O que vou dizer não é nenhuma novidade, talvez você já tenha ouvido isto varias vezes, mas não custa repetir: a APARÊNCIA do mal, geralmente, nunca é feia! Pelo contrario, se apresenta sempre, linda, maravilhosa.
Li certa feita a história de uma linda modelo que foi diagnosticada com o vírus da aids, revoltada ao receber o diagnóstico e sem saber quem a infectara, pois havia sido de muitos homens, diante desta sentença de morte, resolveu se vingar de todos os homens, com os que já transara e com outros que nem conhecia,tamanha era a sua fúria e desejo de vingança!
Aquela linda mulher, enquanto pôde, infectou com o vírus do H.I.V, tantos homens quanto fora possível, para saciar sua sede de vingança.
Vários homens incautos acreditavam que estavam em extrema vantagem, tendo noites de prazer com uma lindíssima mulher, que cumpria todos os seus caprichos sexuais e sem nem mesmo usar camisinha, porém, não imaginavam que na realidade estavam assinando suas sentenças de morte!
Por isso a Bíblia categoricamente nos adverte: “abster-se da aparência do mal”, muitas vezes bela, inocente, prazerosa, vantajosa, no entanto, esconde seu rosto macabro, por baixo de sua mascara inofensiva.
Por isso, por mais bela e inofensiva que se mostre sua face, fujamos de toda “aparência do mal”.
Que a graça e a misericórdia de Deus esteja convosco.
André Senhorino.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

SUPÉRFLUOS E SUPERFICIALIDADES

6 O filho honra o pai, e o servo ao seu senhor; se eu, pois, sou pai, onde está a minha honra? e se eu sou Senhor, onde está o respeito por mim? diz o Senhor dos exércitos...” Malaquias 1.6.

Tenho apenas 37 anos, porém, ultimamente tenho me sentido uma “peça de museu”, pois tenho percebido que sou um espécime em extinção: um filho que pede benção aos pais e os chama de senhor/senhora, bem, alguém poderia achar isso um fato irrelevante, apenas um “sinal dos tempos”, em uma sociedade que se moderniza também em seus modos de relacionamentos.
Para muitos tudo isso pode ser besteira, mas, a grande verdade é que os filhos já foram mais reverentes e respeitosos com seus pais, tinham posturas mais honrosas para com eles nas gerações passadas.
E isto não é papo saudosista de um quase quarentão, é pura constatação.
E parece que esta atitude faltosa em respeito e honra não se limita às relações humanas, vemos que até mesmo Deus, já não é respeitado, reverenciado e honrado, como deveria.
A sua queixa registrada em Malaquias 1.6, infelizmente, ainda cabe muito bem neste século 21, e isso não é de hoje.
Creio que seja da década de setenta ou oitenta, uma canção composta por Silvio Brito, que fez muito sucesso, e que, apesar de não ser religiosa, colocou muito bem esta realidade de desrespeito para com o Criador.
Permitam-me transcrevê-la:

“Tá vendo aquele edifício moço
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas prá ir, duas prá voltar
Hoje depois dele pronto
Olho prá cima e fico tonto
Mas me vem um cidadão
E me diz desconfiado
"Tu tá aí admirado?
Ou tá querendo roubar?"
Meu domingo tá perdido
Vou prá casa entristecido
Dá vontade de beber
E prá aumentar meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que eu ajudei a fazer...

Tá vendo aquele colégio moço
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Fiz a massa, pus cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
Vem prá mim toda contente
"Pai vou me matricular"
Mas me diz um cidadão:
"Criança de pé no chão
Aqui não pode estudar"
Essa dor doeu mais forte
Por que é que eu deixei o norte
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava
Mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a comer...

Tá vendo aquela igreja moço
Onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá foi que valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que Cristo me disse:
"Rapaz deixe de tolice
Não se deixe amedrontar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio, fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asa
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar.”


O drama deste retirante nordestino que, como muitos na vida real, não tem o valor de seu trabalho reconhecido foi usado de maneira muito feliz pelo autor desta canção, para ilustrar a atitude que a criatura humana tem para com seu criador.
É incrível como muitos de nós, até os que se consideram “religiosos”, querem, quando morrer, ir morar eternamente com Deus no céu dEle, porém, no curto tempo que passam aqui na terra, que foi criada por Deus, então também pertence a Ele por direito, aqui o tratamos como um inquilino, isso, na melhor das hipóteses!
A grande verdade, que nós não temos a coragem de assumir, é que não respeitamos, reverenciamos e honramos a Deus como deveríamos, porque, lá no fundo, achamos que Deus e tudo o que se relaciona a Ele, não passa de supérfluos!
Quer alguns exemplos? Vamos a eles!:
Você orou hoje? Muitos a esta pergunta, dão a clássica resposta: “eu não tive tempo!”, agora, você teve tempo para comer, dormir, tomar banho, escovar dentes, ver tv, acessar Internet etc.., e não teve tempo para conversar com o Criador dos céus e da terra?
Outro: você vive de acordo com os princípios da Palavra de Deus? Todas as decisões, os seus relacionamentos, na sua família, trabalho, negócios etc... você procura tudo conduzir de acordo com o que o Criador nos ensina na Palavra? Ou você é mais um daqueles que acha que leis (mesmo as divinas) foram feitas para descumprir?
Vamos a outro exemplo: a Casa de Deus, a comunhão com o corpo de Cristo. Você tem prazer em ir à casa de Deus e estar em comunhão com os irmãos, ou é mais um daqueles que acha que ir a igreja (Casa de Deus) não é tão importante, até por que é “devoção e não obrigação”, e não esta em comunhão com a igreja (corpo de Cristo), porque vê nela muitos erros, e esta procurando a “igreja certa”, ou “perfeita” (até porque, você é perfeito!)?
Estas são apenas três, das muitas perguntas que, se fossemos sinceros em responder, veríamos como tratamos a Deus e a tudo que se relaciona com Ele, como coisa supérflua e de maneira superficial.
Porque é impressionante quanta gente hoje não ora, não lê e não vive de acordo com a Palavra de Deus, não vai à Casa de Deus, não esta em comunhão com o corpo de Cristo, não esta com uma vida de adoração e santidade na presença dEle, nem mesmo se preocupa com a salvação de sua alma! e, apesar de tudo isso, parece achar tudo “normal”. Vivem como se Deus e tudo que se relaciona a Ele não fossem coisas relevantes, fundamentais para sua vida, e o pior, ainda querem justificar esta maneira de viver! e, mesmo assim, muitos ainda querem abrir a boca e dizer que honram e respeitam ao Criador.
Assim diz o Senhor: “... se eu, pois, sou pai, onde está a minha honra? e se eu sou Senhor, onde está o respeito por mim?”,ninguém honra e respeita a Deus com meras palavra, com práticas e ritualismos religiosos, porém, com seu modo de vida!
“6 Respondeu-lhes(Jesus): Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim;
7 mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.
8 Vós deixais o mandamento de Deus, e vos apegais à tradição dos homens”. Marcos 7.6-8.
Como tem sido sua comunhão com Deus? Verdadeira, profunda, constante? Ou meramente hipócrita e superficial?
Como você trata as coisas relacionadas ao nosso Pai, ao nosso Criador? Como coisas santas, fundamentais e indispensáveis para nossa vida ou como meros supérfluos?
Reflitamos sobre tudo isso. Porque, assim com aqui na terra, lá nos céus, o “inquilino” seremos nós!
Respeitemos e honremos a Deus!
Que a graça de Deus esteja conosco.

André Senhorino.


terça-feira, 17 de maio de 2011

Porque acho a Igreja Gay uma vergonha para os evangélicos

Por Hermes C. Fernandes

Definitivamente, a igreja evangélica brasileira não está preparada para discutir um assunto tão polêmico como a homossexualidade. Falta maturidade, finesse, e sobretudo, amor.

Por que acho que é uma vergonha para os evangélicos que haja uma igreja gay? Simples. Esta igreja só surgiu para preencher uma lacuna deixada pela igreja evangélica. Se os gays fossem acolhidos em nossas comunidades, a fim de que fossem expostos à Palavra de Deus, eles não teriam qualquer razão para buscar uma igreja dedicada exclusivamente a eles.

Não estou dizendo que as igrejas deveriam legitimar sua conduta. Não! Apenas afirmo que devemos ser mais misericordiosos, compassivos, agindo mais ou menos como nosso Mestre agiria.

Me recuso a acreditar que Jesus os rechaçaria. Também não acredito que Ele estimularia que Seus seguidores se entrincheirassem contra os homossexuais, como tem sido feito.

Tornamo-nos seus inimigos número 1. Como poderemos evangelizá-los? Como poderemos conduzi-los aos pés do Salvador?

Será que somos melhores do que eles? Será que nossa avareza, idolatria, inveja, carnalidade, ocupam um lugar de menor importância dentro da lista de pecados condenados pela Palavra?

Sinceramente, creio que a Igreja deveria se manifestar solidária a todo grupo humano minoritário que buscasse ser respeitado. Sem endossar qualquer que fosse a conduta pecaminosa, deveríamos comprar uma briga pelas prostitutas, homossexuais, seguidores das religiões afro-brasileiras, ciganos, etc.

Te escandalizei?

Pois o Cristo a quem sirvo também escandalizou os religiosos pudicos de Sua época ao colocar-se em defesa da mulher adúltera, desmascarando a pseudosantidade dos religiosos que queriam apedrejá-la.

Tornamo-nos tão diferentes de Jesus. Estamos sempre do lado errado. Do lado dos poderosos, dos mantenedores do Status Quo, dos corruptos, dos salafrários.

Repito: não acho que devemos baratear a mensagem do Evangelho, endossando qualquer conduta que não se coadune com seus valores e princípios.

Porém, acredito que devemos usar de misericórdia, tanto quanto dela necessitamos. Afinal, são os misericordiosos que alcançarão misericórdia.

Nunca vi ninguém se converter no calor de uma discussão.

Se queremos ser respeitados, devemos, antes de tudo, respeitar, mesmo o mais vil pecador. Não somos melhores do que eles.

Que tal se olharmos para nós mesmos como fez Paulo, que considerou-se o principal dos pecadores?

Que tal se deixarmos de olhar para o outro de cima pra baixo, e considerar-nos igualmente carentes da graça de Deus?

Que o Projeto de Lei 122 precisa de ajustes, não resta dúvida. Mas não será com xingamentos e ataques que vamos reverter isso.

O que não se pode negar é que o debate serve mesmo é a interesses políticos daqueles que se fiam na ingenuidade do povo evangélico para se elegerem.

Igreja nenhuma deveria sentir-se ameaçada por qualquer que seja a PL. Faz-se um escarcel danado para que os crentes pensem que a tal "ditadura gay" vai obrigar às igrejas a aceitarem e celebrarem o casamento entre pessoas do mesmo sexo. E assim, os propineiros vão se elegendo e agradecendo ao deus Mamom pelas "graças" recebidas.

Bem... Esta é minha humilde opinião. Você tem todo o direito de discordar.

UM PURO CORAÇÃO, SÓ DEUS PODE DAR.

10 “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito estável”. SALMOS 51.10
Você já alguma vez se sentiu como se fosse uma “bolsa de lixo”, o pior dos piores, um fracasso moral e espiritual total? Se a sua resposta é sim! Não fique triste, você não é o único!
Eu mesmo já me senti assim algumas vezes e, com certeza, outros milhares de crentes também. Após termos obtido vitórias, nos esforçado, alcançado progressos, cometemos pecados, erramos, fracassamos e percebemos que não somos tão espirituais, fortes ou perfeitos quanto pensávamos. Nenhum de nós esta livre passar por esta experiência tão frustrante.
Com certeza, eram sentimentos semelhantes a estes que dominavam o coração de Davi enquanto escrevia o Salmo 51.
O grande rei Davi, após inúmeras conquistas, vitórias, realizações fantásticas em prol da nação de Israel e da obra de Deus, após várias ações de bravura e lealdade não só à nação de Israel, mas, sobretudo, a Deus, fraquejou diante da bela bateseba, cometeu um adultério e um homicídio e logo após se arrependeu amargamente.
Imagino que ele se sentia como uma bolsa de lixo, um completo fracasso, o pior dos piores ao escrever no Salmo: “3 Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.
4 Contra ti, contra ti somente, pequei, e fiz o que é mau diante dos teus olhos; de sorte que és justificado em falares, e inculpável em julgares.”
É frustrante, porem esta é a realidade, por mais que nos esforcemos, que tenhamos boa vontade, disciplina, sempre pecaremos, nunca alcançaremos a completa perfeição aqui nesta terra.
O apóstolo Pedro aprendeu esta lição da maneira mais dolorosa. EmMateus 26. 33-35, lemos: “Mas Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem de ti, eu nunca me escandalizarei.
34 Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que esta noite, antes que o galo cante três vezes me negarás.
35 Respondeu-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo algum te negarei”. Pedro aqui estava confiante de que possuía fé e força de vontade suficiente para ser fiel a Cristo até o fim, porém, no mesmo capitulo 26 de Mateus no v,74e 75 lemos: “ Então começou ele(Pedro) a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou.
75 E Pedro lembrou-se do que dissera Jesus: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente”. Pedro aqui, assim como aconteceu com Davi, aprendeu da pior maneira, que não podemos confiar na força da carne se queremos alcançar um coração fiel a Deus.
O rei Davi após aprender esta importante lição, pede a Deus no v. 10: “... Cria em mim, ó Deus, um coração puro...”.
O interessante ao pesquisar esta expressão no original hebraico, é que Davi aqui ao pedir “cria em mim um coração puro”, no original, usa o verbo “bara”, ou seja “criar do nada”, esta palavra no texto sagrado só surge quando esta se referindo a algo criado por Deus, como em gênesis 1.1, onde lemos que “... Deus criou (bara) os céus e a terra...”.
No colégio, nós aprendemos na lei de termodinâmica que a matéria não pode ser construída (ou seja, surgir do nada), nem pode ser destruída (desaparecer completamente), porém, quando se refere à criação operada por Deus, sim, Ele pode contrariando a ciência, criar do nada! (bara).
Criar (bara) um coração puro como pediu Davi, é uma obra que só Deus pode fazer! Nenhum de nós, por mais bem intencionados, disciplinados ou esforçados que possamos ser, conseguiremos a obra de criar um coração puro.
Se nós compreendermos que santidade, pureza, retidão de vida tem haver com a graça de Deus operando em nossas vidas, e não meramente com nossos esforços, com certeza, não fracassaríamos e não nos frustraríamos tanto, como aconteceu com Davi e com Pedro.
Nesta minha caminhada de vida cristã, quantas vezes me senti exaurido e deprimido por ver que todo meu esforço para vencer meus defeitos e fraquezas, tinha um resultado de quase zero.
E quanta gente também não vi, ao longo desta caminhada, até mesmo desistindo da sua carreira da fé, por se sentirem frustrados com o resultado de seus esforços.
Mas, é exatamente nestes momentos, que precisamos fazer como Davi: reconhecer toda nossa fraqueza e impotência, confessar nossos pecados, e pedir ao Deus misericordioso: “cria (bara) em mim, ó Deus, um coração puro”. Pois isto só Ele pode fazer.
E em que você esta baseando o progresso de sua vida cristã, de sua espiritualidade, de sua santidade de vida? Em seus esforços? Ou na graça do Deus, que é o único que pode criar (bara) um coração puro?
Em Judas v.v. 24e 25 lemos: “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos ante a sua glória imaculados e jubilosos, 25 ao único Deus, nosso Salvador, por Jesus Cristo nosso Senhor, glória, majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, e agora, e para todo o sempre. Amém”.
Em Ezequiel 11.19,20 também lemos:“E lhes darei um só coração, e porei dentro deles um novo espírito; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne, 20 para que andem nos meus estatutos, e guardem as minhas ordenanças e as cumpram; e eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus “.
A obra que nos dá um coração puro, reto e fiel para com Deus, só quem pode fazer é o próprio Deus.
Que a graça de Deus te abençoe e te fortaleça!
André Senhorino.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Deus odeia o Brasil!


Por Hermes C. Fernandes


Desde 1991, a Igreja Batista de Westboro já realizou mais de 40 mil manifestações públicas exibindo placas com dizeres nada convencionais: Deus odeia os bichas! Deus odeia a América! Recentemente, uma nova manifestação dizia que Deus odeia Lady Gaga.

De acordo com seu site “God Hates Fags”, a América teria cruzado a linha em 26 de junho de 2003, quando o Supremo Tribunal Federal decidiu que “devemos respeitar a sodomia”. Essa igreja acredita piamente que sua mensagem é a última esperança para o mundo.

Em vez de pregar o amor de Deus revelado na cruz, esses crentes preferem enfatizar o ódio divino pelo pecado, ou melhor, pelo pecador. Isso mesmo. Essa história de que Deus odeia o pecado, porém ama o pecador não está com nada, pelo menos é o que essa gente pensa.

Duas coisas me chamaram a atenção ao visitar o site. A primeira é maneira como se dá boas-vindas aos visitantes:

Welcome, depraved sons and daughters of Adam. Bem-vindos, filhos e filhas depravadas de Adão.

Qualquer um se sente em casa com uma recepção dessas!

A segunda foi o primeiro link exibido do lado direito da página: Deus odeia o mundo.Ao clicar nele deparei-me com um mapa mundi e uma lista de países alvo da ódio divino. Adivinha que país encontrei lá? Nosso Brasil varonil.

Resolvi clicar pra ver as razões pelas quais Deus odeia nossa nação. Eis os motivos encontrados:
O Brasil é uma representação bastante justa de uma Sodoma moderna e do mundo Antediluviano - uma nação de pessoas dedicadas a comer e beber até a borda, cumprindo cada desejo que desperta seu interesse menor. Os bichas são altivos e orgulhosos no Brasil, com sua parada do orgulho (Parada do Orgulho GLBT) em São Paulo sendo a maior do mundo. Da mesma forma como Sodoma e Gomorra - juntamente com o resto do mundo – o Brasil será destruído! (tradução minha com a santa ajuda do google translate)
Será esse “evangelho de ódio” a única esperança para nossa nação? Será apontando dedos inquisitórios em vez de mãos estendidas que transformaremos o mundo? Sabe o que eles dizem de João 3:16? Que tudo aquilo não passa de mentira. Confira no site ao lado das razões do ódio de Deus pelo Brasil.

Você conseguiria imaginar Jesus promovendo piquetes com Seus discípulos, e até com crianças, segurando placas coloridas com dizeres semelhantes?

Quando será que essa igreja abrirá sucursais em terras tupininquins? Ou será que já não haveria algum tipo de representação dessas idéias aqui abaixo da linha do Equador?

Cá entre nós… considero tudo isso um verdadeiro desserviço à causa do Reino.

Estou convencido de que o mundo só será salvo pelo Amor. A ira divina foi aplacada na cruz. Deus não está de mal conosco. O primeiro passo para a reconciliação já foi dado, e não tem volta. Só nos resta fazer como Paulo, suplicando aos homens para que se reconciliem com Deus (2 Co.5:20).

Recuso-me a crer que Deus odeie o Brasil, ou mesmo a América, ou qualquer outro rincão deste mundo.

Deus ama a Sua criação, ainda que odeie o estado em que ela se encontra

quinta-feira, 7 de maio de 2009

VALOR

“Só aprendemos o valor da água quando o poço está vazio.”

(Thomas Fuller)Diferentemente de nós, homens, que tendo algo em abundância agimos de maneira pródiga e inconseqüente, sem pensar nos efeitos de longo prazo, Deus não se dá ao luxo de desperdiçar coisa nenhuma, mesmo ELE sendo uma fonte inesgotável de energia.

Mas o que será que leva a natureza humana a agir dessa maneira, não era para ser diferente? Ora, se somos seres limitados deveríamos agir com mais responsabilidade, e acima de tudo com mais administração, a fim de otimizarmos os recursos.

Mas o que constatamos é uma tremenda falta de responsabilidade e desvalorização para com aquilo que temos recebido.Veja, para atribuirmos valor a algo, este algo tem que ser útil e principalmente escasso. Quanto mais raro de se achar maior será o valor atribuído. Podemos tomar como exemplo as pérolas, o ouro e o petróleo, são coisas que não se acham em qualquer esquina, o que nos leva a atribuir valor para cada uma delas.

Com isso, percebe-se que o motivo que nos leva a negligenciarmos aquilo que temos recebido do alto, muitas vezes reside na percepção que temos de valor, tendo em vista que para nós só tem valor aquilo que é escasso.

Só que no Reino de Deus ocorre uma completa subversão e conversão de valores;

“E a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e amor que há em Jesus Cristo.” (I Timóteo 1:14).

Deus nos entrega sua Graça de maneira abundante, subvertendo a referência que temos de valor! Mesmo sendo abundante, não temos o direito de desvalorizar a graça recebida do alto e nem de torná-la vã em nossa vida. (2 Coríntios 6;1).

Desvalorizar a Graça também implica em não cuidar da Criação. Pois ela (a Graça) esta presente em nosso cotidiano, para qualquer direção que olharmos iremos encontrá-la revelada na criação.

Com isso, adotaremos uma postura diferente para com os recursos naturais, que mesmo sendo abundantes em nosso planeta, estão fadados a acabarem graças à desgraça humana em desvalorizar o que é abundante.

Mas uma consciência iluminada pela graça, ensina a valorizar aquilo que temos em abundância. Nos leva a mirar no longo prazo, a pensar nas futuras gerações. Pois "um homem de valor pensa em si mesmo em último lugar" ( Friedrich Schiller).

Não espere o poço ficar vazio para então valorizar a água, é melhor perceber e atribuir valor na abundância do que na escassez.


Texto de Bruno Jardim

terça-feira, 14 de abril de 2009

O novo Calvinismo

Se você quer realmente seguir o desenvolvimento do cristianismo conservador, rastreie as suas músicas de sucesso. No início do século xx, você ouviria “Rude Cruz”, uma celebração da expiação. Nos anos 1980, você teria compartilhado a intimidade do tipo “Jesus é meu amigo”, expressada na canção “Brilha, Jesus”. Hoje, as músicas de sucesso retratam cada vez mais um Deus que é muito grande, enquanto nós… bem, ouça a banda de David Crowder: “Estou cheio de terra/ Tu és o tesouro do céu/ Estou sujo de lama/ Inclinado à depravação”.O calvinismo está de volta, e não apenas no âmbito da música. A resposta de João Calvino, no século xvi, aos excessos do catolicismo na forma de “compre o seu livramento do purgatório” é a mais recente história de sucesso do evangelicalismo [americano], uma história completa: com uma Deidade totalmente soberana que administra as coisas mínimas, uma humanidade pecaminosa e incapaz e, a combinação da conseqüência lógica, a predestinação: a crença de que, antes de o tempo surgir, Deus resolveu a quem salvaria (ou não), sem influenciar-se por qualquer ação ou decisão humana subseqüente.
O calvinismo, primo de outro pilar da Reforma, o luteranismo, é bem menos rígido do que os seus críticos afirmam. O calvinismo oferece uma Deidade firme que orquestra absolutamente tudo, incluindo a enfermidade (ou o arresto da casa!), por meio de uma lógica que talvez não entendamos, mas não temos de criticar depois que vemos os resultados. Nossa satisfação — e nosso propósito — se realiza apenas ao glorificá-Lo.
No século xviii, o pregador puritano Jonathan Edwards revestiu o calvinismo de um misticismo quase extasiante. Mas logo o calvinismo foi vencido nos Estados Unidos por movimentos como o metodismo, que eram mais impressionados com a vontade humana. Grupos liberais descendentes dos calvinistas, como a Igreja Presbiteriana (EUA) [PCUSA], descobriram outra ênfase, enquanto o evangelicalismo perdia o interesse por uma doutrina consistente (havia o triunfo daquele Jesus amável e impreciso) e parecia relegar a pregação reformada fiel (a palavra reformado é um sinônimo de calvinista) a algumas poucas igrejas persistentes do sul [dos EUA].Isso não acontece mais. Os ministros e autores neo-calvinistas não agem numa escala como Rick Warren. Contudo, ouça Ted Olsen, editor-chefe da revista Cristianity Today: “Todos sabem onde estão a energia e a paixão no mundo evangélico” — com o neo-calvinista pioneiro John Piper, de Minneapolis, com Mark Discroll, o brigão de Seattle, e Albert Mohler, presidente do Southern [Theological Baptist] Seminary, da grande Convenção Batista do Sul [dos EUA]. A Bíblia de Estudo ESV, com sabor calvinista, esgotou a sua primeira tiragem; blogs reformados como Between Two Worlds estão entre os links mais populares do ciberespaço cristão.
À semelhança dos calvinistas, os evangélicos mais moderados estão explorando curas para o desvio doutrinário do movimento, mas não podem oferecer a mesma segurança coletiva. “Muitos jovens cresceram em cultura de destruição, divórcio, drogas e tentação sexual”, disse Collin Hansen, autor de Young, Restless, Reformed: A Journalist’s Journey with the New Calvinists. “Eles têm muitos amigos; o que precisam é de um Deus.” Mohler disse: “No momento em que alguém começa a definir o ser ou os atos de Deus biblicamente, essa pessoa é levada a conclusões que são tradicionalmente classificadas como calvinistas”.
De fato, essa presunção de inevitabilidade tem atraído acusações de arrogância e divisionismo desde a época de Calvino. Na verdade, alguns dos entusiastas de hoje sugerem que os não-calvinistas podem não ser cristãos. Pequenas disputas entre os batistas do sul [dos EUA] (que têm um grupamento concorrente de não-calvinistas) e trocas de ameaças on-line são um mau presságio.
Em julho próximo, se dará o 500º aniversário de nascimento de Calvino. Será interessante observar se o último legado de Calvino será a difamação protestante clássica ou se, durante estes tempos difíceis, mais cristãos que buscam segurança sujeitarão a sua vontade ao Deus severamente exigente dos primórdios de seu país.

fonte: Time [via Pavablog]tradução: F. Wellington Ferreira

Há 14 anos descobri as doutrinas reformadas. Meu ministério sofreu uma guinada. Bom seria se os pregadores pós-modernos bebessem desta fonte, como fez o emergente Mark Driscoll. É uma combinação bombástica!

Postado por Hermes C. Fernandes

terça-feira, 7 de abril de 2009

Viciados em pornografia

As últimas brasas da fogueira já estavam quase apagadas. As etiquetas nas garrafas estavam danificadas, depois de dias expostas ao sol. Os que haviam acampado perto de minha barraca já estavam longe há algum tempo. Meu amigo e eu pegamos as coisas que estavam para trás. Ficou apenas um CD de hip-hop. Tínhamos algumas malas e garrafas vazias. Além de uma revista.
Sua capa estava molhada e irreconhecível. Eu a abri com um pedaço de pau. Havia orvalho naquele dia e as páginas da revista também estavam molhadas. Naquele momento eu vi uma mulher. Ela estava com seus seios descobertos.
Desde meus sete anos tenho fugido. Quero dizer, meninas eram “problemáticas”. Elas eram indesejáveis. Tinham alguma coisa que desejávamos, mas não sabíamos dizer o que, já que nunca as alcançávamos. Eu ainda me lembro daquela cena. Eu estava ao mesmo tempo empolgado e receoso. Eu não conseguia entender a razão, mas sabia que ninguém deveria me ver olhando aquela revista.
De uma coisa eu sabia: eu queria mais.
Alguns anos depois eu tive minha chance. Dessa vez eu não fugi. Eu tinha treze anos e estava na casa do meu amigo Tyler (nome fictício). Ele era meu único amigo com acesso à internet. Quase todos os dias nós jogávamos no computador por horas.
Certo dia, eu cliquei em um ícone que pensei ser um jogo; tudo mudou em nossa vida. Não era um jogo, mas um vídeo. Nossa primeira reação foi cair na gargalhada com as lentas imagens daquelas mulheres. Era uma gargalhada do tipo “desligue isso; é tão ridículo”. Contudo, nós não desligamos. Assistimos ao vídeo e, então, eu fui para casa.
Tyler continuou procurando por vídeos daquela natureza e me mostrou o que havia encontrado. Dessa vez, eu não fugi. Não queria continuar olhando, mas eu continuei. Estava hipnotizado.Com o tempo, ficar olhando, juntos, aquela nudez na internet causava-nos estranheza e desconforto. Por isso, Tyler e eu preferimos nos dedicar ao pornô solo. Tyler continuou a fazer download de tudo o que podia. Dos vídeos mais leves aos mais pesados. Eu, àquela altura, estava dividido entre o prazer de ver aquelas cenas e a culpa que carregava dentro de mim pelo que estava a fazer. Em alguns dias eu estava forte, e resistia. Em outros, eu parecia um viciado em pornô, desesperado para achar uma imagem. Apesar disso, eu nunca comprei ou fiz download de um filme pornô. Era um garoto nascido na igreja, em uma cidade pequena. Todos me reconheceriam se descobrissem quem estava comprando aqueles vídeos. Além disso, eu não tinha computador em casa. Ao invés de comprar pornô, eu comecei a roubá-los.Eu vasculhava as casas de meus amigos para ver se os pais deles tinham alguma revista Playboy. Quando não achava, as roubava de lojas de conveniência. Não muitas; apenas três ou quatro em alguns anos. De qualquer jeito, eu fiz.Página por página eu ficava imaginando se aquilo poderia ser real para mim. Sei que é constrangedor dizer isso, mas aquelas mulheres pareciam me fazer sentir amado. Meus olhos desejavam aqueles corpos e faziam sentir-me um homem. Por um momento, eu me senti amado, desejado.Eu me sentia perto de alguém, e não me incomodava o fato de aquele alguém não ser real. Para mim era muito real.Entretanto, aqueles momentos de plenitude passavam. Sempre. O prazer fracassava. Em pouco tempo eu era tomado por um sentimento de remorso e culpa. Sentia-me a milhões de quilômetros da bondade e a bilhões de anos luz de Deus. Eu sempre pensava naquela primeira foto de mulher pelada que eu vi, na minha infância. Achava que Deus estava com um bastão em sua mão, me punindo à distância e me mostrando que não tínhamos nada em comum.Sabia que aquilo não era verdade. Eu era um cristão. Sabia que Deus me via perfeito e amável, assim como via seu próprio Filho. Conhecia todas aquelas coisas. Amor. Graça. Perdão.Contudo, eu não experimentava tais coisas em minha vida. Pior! Eu crescia cada vez mais frustrado comigo mesmo. Eu havia prometido para mim mesmo que eu não me incomodaria mais com aquilo, só para repetir meus erros.Tyler não estava nada melhor. Ele começou a achar impossível crer em um Deus que o impediria de assistir seus vídeos pornôs. Sem Deus em sua mente, ele se convenceu de que pornô era apenas diversão. De que forma uma diversão pode machucar alguém? Tendo decidido que pornografia não é ruim, ele decidiu que aquilo seria algo útil para sua vida. Ele fez uma assinatura da revista Playboy e começou a comprar todos os seus vídeos.Perceber o que estava acontecendo com o Tyler foi uma forma de me despertar. Eu sabia que estava fadado ao mesmo destino. Por isso, pedi ajuda. Certo dia, estava conversando com um amigo que é um bom cristão. Sem vergonha, disse tudo o que estava acontecendo a ele. Disse que se pudesse assistir a um filme pornô de graça, sem ser acusado por minha consciência, eu o faria. Pedi ajuda a ele e nós oramos juntos.Para minha surpresa, meu amigo me disse que tinha o mesmo problema. Na verdade, a maioria dos meus amigos tinha. Pedimos a uma pessoa mais velha de nossa igreja para se encontrar conosco uma vez por semana e nos ajudar. Aquele homem não tinha nenhuma sabedoria mágica ou força sobrenatural para nos ajudar contra a pornografia. Contudo, ele nos ouviu, aconselhou e orou conosco. Ele se tornou um cuidadoso mentor para todos nós. A primeira coisa que ele nos mostrou foi que não estávamos sozinhos naquilo, não éramos os únicos a enfrentar aquele problema e tampouco éramos loucos.Quando me encontrei com meu grupo, vi que minha vida precisava mudar. Muitas daquelas mudanças ainda se aplicam em minha realidade hoje. Primeira lição: Corra! “Voe”, dizia nosso mentor. “Alcoólatras devem atravessar a rua para fugir de uma garrafa de bebida”. Em meu caso, isso significa que não posso entrar sozinho em uma banca de jornal, ou usar sozinho um computador sem filtros de internet.Preciso limitar as oportunidades que dou para a tentação. Tenho que criar um espaço que me distancie da pornografia. Não posso ter catálogos em minha casa. Não posso me dar o direito de assistir TV sozinho. Mesmo com filtros na internet, não uso o computador se não tiver outra pessoa em casa. Essas restrições me aborrecem algumas vezes. Todavia, elas me ajudam demais.A segunda coisa que aprendi foi a perguntar: Como posso aprofundar meu desejo por Deus e esquecer-me dessas coisas que me fazem pecar? Alguém me disse, certa vez, que há dois cachorros no quintal do meu coração. Um cachorro cava egoísmo, pecado e prazer. O outro cachorro cava justiça, misericórdia, paz e obediência a Deus. Quando acordo todas as manhãs, escolho qual cachorro pretendo alimentar. O que eu alimento cresce até o outro não poder mais ser visto.Preciso alimentar o cachorro correto. Faço isso quando cultivo relacionamentos honestos com cristãos. Tenho um amigo com quem converso de forma particular diariamente. Falamos abertamente sobre sexo, pecado e tudo o que nos leva a pecar. Juntos, nós buscamos formas de evitar o pecado. Nós oramos, choramos, nos ensinamos, nos deixamos aprender.Eu também alimento o cachorro correto ao estudar a Bíblia em grupo. Não apenas a leio. Escrevo o que aprendi e o que desejo fazer com aquilo. Passo um tempo em silêncio, esperando para ver o que Deus falará comigo. Eu oro, adoro, sirvo outras pessoas.Na maior parte das vezes, o cachorro bom prevalece. Aquele terrível monstro está tão sufocado agora que nem o vejo com tanta frequência. Contudo, de vez em quando ele aparece. Começa a latir e logo me vejo na direção errada. Ele late muito alto, quando não tomo cuidado em resistir às tentações. Então eu fujo. O deixo esquecido, ignorado.Além disso, eu oro: “Deus, me ajude a fazer hoje o que é certo. Ajude o Tyler também. Livra-nos da pornografia e leve-nos próximos da perfeição. Faça-nos amar mais ao Senhor do que a nós mesmos e nos cerque com pessoas que nos façam lembrar que tu nos amas mesmo quando erramos. Cerque-nos com amigos e nos dê uma igreja que nos ajude a viver em santidade. Mate o cão mau e alimente o bom. Amém!”
Texto de Shaun Groves, Via - Cristianismo HojeCantor e compositor, o último álbum de Shaun Groves, “White Flag” (Rocketown), foi baseado em como cada ensinamento de Cristo no Sermão do Monte (Mt 5) ajudou Shaun em sua vida.Se você tem algum problema com pornografia, Shaun lhe encoraja a buscar ajuda com seu pastor, com um líder de estudo bíblico, ou com outro cristão maduro. Você também encontrará informação útil nos sites xxxchurch.com e freeinchrist.truepath.com.
Postado por Hermes C. Fernandes